Amei todas estas mulheres que tive e sabia como e por que amava cada uma delas. Mas Marilisa... Ela não tem nada... Mas... Ela tem uma coisa!
Gostava do jeito com que a Clara se perfumava e penteava cuidadosamente os cabelos em frente ao espelho (nunca me deixava vê-la sem uma boa escova). Dos teus vestidos clássicos que sempre caíam tão bem naquele corpo esguio e branco, gostava de quando ela me perguntava se o decote não estava muito insinuante, pois tinha pavor de sair para os encontros sociais com algum tipo de excesso. Gostava de como ela segurava as taças com as pontas dos dedos, ou arranjava os talheres e louças para nossos jantares...
Amei Teresa... Tuas conversas espirituosas, quando ficava levemente embriagada e ainda assim mantinha um vocabulário perfeito. Amei a saudade que me surpreendia o peito quando ela viajava a trabalho e sempre retornava com algum prêmio ou alguma mérito por seus artigos e textos publicados, me orgulhava da tua posição e me envaidecia por estar ao teu lado naqueles momentos...
Me deliciava ao me enroscar nos negros cachos de Ana Paula, e quando ela saia de manhã sem dar tchau, e só ligava três dias depois, me deixando aflito com tamanha independência...
Amei todas estas mulheres e sabia como e o por que amava cada uma delas. Mas Marilisa? Não têm nada! Nenhuma elegância ao falar ou andar, teus cabelos amanhecem sempre bagunçados de um modo selvagem. E ela tem umas manias! Às vezes diz cada coisa insignificante... O problema é que ela é muito nova. Nem bem terminou o colégio, e eu confesso, vivo lhe corrigindo na frente dos amigos, pra falar a verdade cabe-lhe pouca inteligência na cachola. É pedante, carente e nunca acorda depois de mim, têm uma preocupação excessiva com minha saúde e não deixa faltar remédios em casa.
Mas eu a amo... Até quando faz as unhas do pé, grudada na televisão e se esqueçe do arroz no fogão (ela gosta de novelas). Amo o jeito doce com que apronta a cama deixando o lençol branco cair como um balão (repete este movimento até se cansar e depois cai rindo na cama). Me encanta o jeito dela coçar os olhos ao acordar. Amo o jeito sacana daquelas mãos atrevidas me convidando a deitar. Amo tua língua devoradora e paciente que fica horas a me relaxar, ainda me dizendo: “faço até dormir, se quiser!”
Marilisa...
Ela tem uma coisa!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário